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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

HISTORIA DA IGREJA CRISTÃ - Imperador Constantino: Herói ou Vilão?


Quando nos propomos a estudar a História da Igreja Cristã não é possível deixarmos de destacar uma de suas figuras mais emblemática e problemática – o Imperador Constantino.
Como pudemos perceber até aqui, o cristianismo se desenvolve em um meio permeado pelo paganismo e sua expansão exigiu um alto preço cobrado pela espada da perseguição. Enquanto cai a areia da ampulheta secular e mistura-se com o sangue dos mártires o número de cristãos multiplica-se por todo o vasto Império Romano, até chegar no tempo do governo de Constantino.
Diversos historiadores cristãos, como Cairns (2008, p. 80), declaram o sangue dos mártires tornou-se a "sementeira da Igreja", e outro pesquisador, Dowley, conclui que a continua perseguição veio a se constituir no elemento essencial para a expansão eclesiástica (2009, p. 15). Mas é Rostovtzeff (1961, p. 279) quem sintetiza de forma contundente esse aspecto:
Anos de perseguição fortaleceram lhe [a igreja] a organização e seus adeptos se convenceram de que sua Igreja (ecclesia) era una e indivisível, instituição peculiar e poderosa, um Estado divino (civitas dei) isolado dos reinos deste mundo. À medida que a decadência do império de acentuava, a força da igreja crescia. A filiação ao Estado trazia apenas sofrimentos, ao passo que a filiação à Igreja representava um conforto material e moral. A doutrina de Cristo exigia que todos amassem e ajudassem o próximo, e a Igreja organizada auxiliava todos os crentes.
Paulatinamente a fé cristã havia subido os degraus da escada social e penetrado nas esferas da aristocracia governante, fazendo uso de um dos instrumentos mais eficazes - a educação – pois em muitos casos os mentores dos jovens aristocratas eram escravos convertidos ao cristianismo.
Mesmo antes de Constantino diversas igrejas locais passaram a serem proprietárias de terras, prédios urbanos e também passou a ser beneficiária de bens móveis que eram com frequência doada em testamento por famílias aristocráticas convertidas. Com a autenticação imperial a Igreja não só se fortalecera em tamanho e influência, como, em momento posterior, se constituirá em uma das maiores forças política-econômica-militar da história humana em todos os tempos - para o bem ou para o mal.
Quem foi Constantino?
Foi o primeiro filho de Constâncio, com uma concubina chamada Helena. Quando foi nomeado César pelo imperador Diocleciano, conforme a lei romana teve que repudiar Helena, para poder casar-se com Teodora, então filha do imperador Maximiano. Por essa razão Constantino teve que ser educado longe da “família”. Sua juventude foi sob as vistas de Galério, inimigo oculto de seu pai, mas conclui sua formação acadêmica militar sob as ordens direta do Imperador Diocleciano (avô), na Nicomédia, o grande centro estratégico político do império. Após a abdicação de Diocleciano, retorna à vigilância de Galério, que o mantém como trunfo contra Constâncio, seu co-imperador e pai do jovem general. Sabendo dos riscos que corria, Constantino consegue escapar e encontra-se finalmente com seu pai nas ilhas Britânicas.
Sob sua liderança vence inúmeras batalhas e cai nas graças dos seus soldados. Muito doente, Constâncio morre em Eboracum e o exército romano, em sua maioria composto por bárbaros, proclama Constantino imperador, em 25 de julho de 306. Diante de sua crescente popularidade entre as tropas, Galério a contragosto o nomeia César, subordinando-o a Severo seu fiel aliado.
Pacientemente Constantino espera o desenvolvimento dos acontecimentos, pois uma de suas qualidades era saber esperar a hora certa. As peças do tabuleiro do poder vão se movendo e o velho Maximiano acuado por seus adversários casa sua filha Fausta e nomeia Constantino Augusto. Posteriormente, Maximiano tenta instigar as tropas contra Constantino em favor do filho Maximiano, descoberto foi executado. Constantino marcha contra Maximiano na Itália e em 20 de outubro de 312 vence seu adversário na batalha denominada de “Ponte Mílvea” sobre o rio Tibre e entra vitorioso na cidade de Roma – Constantino torna-se o Imperador do Ocidente. Em 313 os dois Imperadores Constantino do Ocidente e Licínio do Oriente se encontram em Milão e conjuntamente estabelecem suas diretrizes política e religiosa, proporcionando aos cristãos pela primeira vez uma igualdade em relação às demais religiões do Império:
"Nós, Constantino e Licínio, Imperadores, encontrando-nos em Milão para conferenciar a respeito do bem e da segurança do Império, decidimos que, entre tantas coisas benéficas à comunidade, o culto divino deve ser a nossa primeira e principal preocupação. Pareceu-nos justo que todos, cristãos inclusive, gozem da liberdade de seguir o culto e a religião de sua preferência. Assim Deus, que mora no céu, ser-nos-á propício a nós e a todos os nossos súditos. Decretamos, portanto, que, não obstante a existência de anteriores instruções relativas aos cristãos, os que optarem pela religião de Cristo sejam autorizado a abraçá-la sem estorvo ou empecilho e que ninguém absolutamente os impeças ou molestes. Observai, outrossim, que também todos os demais terão garantida a livre e irrestrita prática de suas respectivas religiões, pois está de acordo com a estrutura estatal e com a paz vigente que asseguremos a cada cidadão a liberdade de culto segundo sua consciência e eleição; não pretendemos negar a consideração que merecem as religiões e seus adeptos. Outrossim, com referência aos cristãos, ampliando normas estabelecidas já sobre os lugares de seus cultos, é nos grato ordenar, pela presente, que todos que compraram esses locais os restituam aos cristãos sem qualquer pretensão a pagamento ( ... ) Use-se da máxima diligência no cumprimento das ordenações a favor dos cristãos e obedeça-se a esta lei com presteza, para possibilitar a realização de nosso propósito de instaurar a tranquilidade pública. Assim continue o favor divino, já experimenta do em empreendimentos momentosíssimos, outorgando-nos o sucesso, a garantia do bem comum."
Mas a conciliação entre os dois Imperadores era tênue e após pressão Licínio abdica e debaixo da acusação de inimigo do Império é ordena sua execução por Constantino – em 324 – que a partir desse momento torna-se o único imperador do Ocidente e Oriente.  
Sua Cristianização
Falar da “conversão” de Constantino é realmente uma hipérbole, ainda que em momento algum de sua vida tenha esboçado qualquer tipo de perseguição aos cristãos, mas segundo alguns historiadores apesar dele não compartilhar da religião romana tradicional, era devoto de Mitras, o deus Sol (AZEVEDO e GEIGER, 2002, p. 260).
O culto Mitraico tornou-se muito popular entre as tropas romanas que serviam nas regiões asiáticas, bem como negociantes e escravos. Era um culto oriental de origens indo-europeia que trazia em seu bojo forte influência da religião e da astrologia babilônica. Tinha características peculiares ao contexto romano, pois era uma religião de luta, esforço e disciplina, sendo uma religião exclusiva para homens (GIORDANI, 2002, p. 305; AZEVEDO e GEIGER, 2002, p. 262).
O historiador luterano Martin Dreher (2004, p. 60) destaca uma série de pontos de confluência entre a religião mitraica e a religião cristã, o que segundo o historiador facilitou a transição religiosa de Constantino: eles praticavam uma espécie de batismo, uma ceia sagrada, separavam períodos para jejum, tinham um símbolo religioso em forma de cruz, faziam uma cerimônia de confirmação dos novos membros para que se tornassem soldados da luz contra as trevas, e também ensinavam a necessidade de um novo nascimento, de uma conversão, redenção e ressurreição.
E Azevedo complementa: “Os mitráticos acreditavam numa outra existência na qual os bons viveriam e os maus pereceriam. Antes de ser comemorado como aniversário de Cristo, o dia 25 de dezembro celebrava o nascimento de Mithra, Solis Invictus” (2002, p. 261). Ainda que o 25 de dezembro não fosse uma exclusividade de Mitras, pois outras religiões também utilizavam esta data para comemorar suas divindades.
A “conversão” de Constantino sempre foi cercada de muita discussão. Diante do exposto acima uma transição para o cristianismo seria até certo ponto algo natural. Ele sempre foi uma pessoa extremamente pragmática e naquele momento o cristianismo era muito mais relevante e influente dentro do Império do que o mitráticos. Há muito o cristianismo alcançara camadas das elites do Império e muitas famílias de influência nos maiores centros urbanos do Império estavam sendo atraídas pela doutrina cristã, pelos sacramentos e pela Igreja em si.
O relato da “conversão” de Constantino foi escrito pelo historiador cristão Eusébio. Segundo ele no ano de 315, que o Imperador havia obtido sua grande vitória junto à ponte Mílvea depois de haver buscado a vitória do Deus dos céus e de seu Logos, Jesus Cristo. Ainda segundo o historiador cristão, o Imperador lhe havia confidenciado em conversa particular que, nos dias anteriores à batalha definitiva, na ponte do Rio Mílvio (ou Batalha da Ponte Mílvia) lhe aparecera em visão, na hora do meio-dia, uma luz sobre o sol com a inscrição “in hoc vince” (através disso vence). E mais uma vez, na noite anterior à batalha derradeira, Jesus pessoalmente lhe aparecera com a cruz luminosa na mão, admoestando-o a confeccionar este sinal como meio de proteção, isto é, como amuleto. Por isso, o símbolo para a guarda pessoal do Imperador teria sido confeccionado com a monograma de Cristo. Outro relato não menos sobrenatural foi escrito pelo historiador cristão, Lactâncio. Desta forma, como afirma Oliveira Lima (1967) “a cruz, emblema da paz entre os homens, passou a ser emblema de guerra”. Mas durante toda sua vida Constantino nunca assumiu de fato os dogmas cristãos e somente no momento de sua morte ele solicita o sacramento do batismo. Dreher faz uma análise realista desta conversão do imperador:
A tradição cristã viu nessas narrativas a "conversão" de Constantino. O único que nada ou pouco sentiu dessa "conversão" foi o próprio Constantino. Constantino não conhecia uma fé cristã que dirige a vida a partir do coração. Sua "conversão" ao cristianismo talvez tenha sido sincera, mas não tinha profundidade teológica.
O pragmatismo de Constantino prevalece cada vez mais, na medida em que ele se apercebe da importância da Igreja para sua política de governo. Em um império multirracial-cultural-religioso torna-se indispensável um catalizador e o cristianismo com sua capacidade de unir, na mesma comunhão, tanto os escravos e as pessoas livres quanto os locais e os estrangeiros, torna-se fundamental. Paulatinamente ele vai suprimindo os símbolos cúlticos de Mitras e demais religiões não cristãs, tais como monumentos e moedas, mas preserva a linguagem simbólica do sol invictus, que vai utilizar pessoalmente.
Ainda no esteio da análise de Dreher:
Também ficou o culto ao imperador, que agora era apoiado pelos teólogos da corte que acompanhavam o governante. Podemos compreender os louvores e agradecimentos que o episcopado apresentava ao imperador. Era festejado em toda a parte como o salvador, o segundo Moisés, homem escolhido por Deus como seu instrumento. Ele próprio se via no papel de executor da vontade de Deus. No fundo, compreendia-se como o dono da Igreja, que tinha que obedecer às suas ordens. Como vigário terrestre da "suprema divindade", ele também não estava preso à ética que valia para os súditos cristãos.
Era ele mesmo quem considerava válida ou não uma ação sua; era juiz de seus próprios atos.
Sua política imperial pouco se distinguia dos seus antecessores, no que se referia à manutenção do poder. Todos que ameasse seu governo era sumariamente eliminado. Não teve qualquer escrúpulo em mandar matar seu sogro, Maximiano e Licínio seu concorrente direto. Seu próprio filho, Crispo, que lhe havia apoiado na batalha vitoriosa contra Licínio, foi eliminado sob acusação de adultério com sua madrasta. Sua esposa, Fausta, morreu de forma trágica, estrangulada e afogada em uma banheira. Outras tantas mortes lhe foram creditas, sendo ele já considerado um cristão.
E conclui Dreher sua análise de forma categórica:
Sua maldade não parava nem mesmo ante as leis cristãs que ele mesmo promulgara. Os teólogos da corte, porém, não viam suas mãos cheias de sangue. Viam, apenas, o imperador vestido de púrpura, ouro e pedras preciosas, os quais comparavam a "um anjo do Senhor, vindo do céu". Os primeiros conselheiros cristãos do imperador foram o egípcio Ósio, bispo da cidade espanhola de Córdoba, e Eusébio de Nicomédia. Ósio representava os interesses da Igreja estatal e era um hábil político eclesiástico; Eusébio era um daqueles tipos de prelado que sempre tem louvores nos lábios, mesmo quando há incertezas em seu coração. Ósio e Eusébio ensinaram ao imperador a linguagem eclesiástica, criando assim um estilo eclesiástico oficial.
Ainda que por volta de 320, os cristãos não chegassem nem perto de se constituir uma maioria no Império, era o que menos interessava a Constantino, pois o que de fato lhe atraía e desejava controlar era a estrutura da Igreja.
O Cristianismo torna-se a religião oficial do Império
Constantino foi sempre primeiramente um Estadista e somente depois um cristão: o cristianismo significava para ele um meio, não um fim.
A Igreja durante o governo de Constantino:
Aos poucos os símbolos pagãos iam saindo das moedas;
Bispos assumem prerrogativas de juiz local;
Isenção de impostos às Igrejas;
Legalização Jurídica das Igrejas e com isto direito de posse;
Direito de as Igrejas assumirem os bens dos mártires sem que haja testamento destes;
Construção de muitas Igrejas com dinheiro público;
O Domingo como dia especial (culto) “Todos os juízes, moradores das cidades e operários devem descansar no venerável dia de domingo”, com exceção dos agricultores.
Abolição da morte por crucificação;
Na construção da nova capital do Império, Constantinopla, na cidade de Bizâncio (Istambul), na divisa entre Europa e Ásia, é pela primeira vez em que os templos cristãos – e não pagãos – de destacam nos lugares mais altos.
Proibição do culto à imagens na recém fundada Constantinopla;
Início da caça empregada pelo Estado às seitas ditas cristãs;
O imperador tornou-se juiz de todas as contendas internas da Igreja.
Os cristãos rejubilavam com tamanha mudança na realidade do Império.
Em 325 ocorreu sob a organização e convocação do imperador o Concílio de Niceia, o qual fora o Primeiro Encontro Ecumênico da História. Neste concílio, o imperador reuniu os bispos do império a fim de reformular a doutrina cristã.
Aqui se estabelece o modelo de governo denominado de cesaro-papismo, em que o Imperador será o chefe da Igreja. Esse sistema perdurará até o Grande Cisma, sendo mantido apenas no Oriente, pois no Ocidente emergirá a figura poderosa do Papa.

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
Outro Blog
Reflexão Bíblica


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sábado, 28 de janeiro de 2017

Livro: O Brasil e os Brasileiros – 2º Prefácio (1867)

           
No artigo anterior vimos o prefácio mais curto (ref. 1ª edição 1857). Neste prefácio mais longo os autores na voz de Fletcher faz um resumo dos dez anos que separa esta 7ª edição (1867), em inglês, da primeira (1857).[1] De fato o livro foi muito bem acolhido pelos leitores americanos revelando a carência que havia de informações sobre o Brasil.
            Na primeira edição o objetivo era mudar a mentalidade dos leitores estrangeiros, mal informados, a respeito do Brasil e dos brasileiros. Dez anos e cinco edições depois Fletcher entende que melhorou, mas ainda os americanos e europeus não adquiriram uma visão realista e correta sobre o país e seus habitantes.
            Diferente das edições anteriores nesta sexta ele vai incorporar muitas informações e atualizações que ele colhera nos períodos que passou viajando pelo país, perfazendo um acréscimo total de cem novas páginas. Apesar de morar na capital do Rio de Janeiro o escritor percorre amplamente o território nacional, inclusive fazendo uma viagem pelo rio Amazonas, mais de duas mil milhas ( 3.218 quilômetros) até às fronteiras com o Peru.
            Na edição presente os autores mantêm tanto as críticas, quanto à religião católica romana e o sistema de escravidão vigente no país, como também realçam os aspectos positivos. Lembram que o Brasil é uma jovem nação em sua independência e que, portanto, não é correto compara-la com os Estados Unidos, Inglaterra ou França, mas se deve compara-la com os demais países da América Latina, para se descobrir o quanto os brasileiros avançaram e progrediram em suas instituições políticas-econômicas-sociais.
            Em relação aos temas mais recentes e de grande relevância os autores optaram por inseri-los em formato de apêndices, tais como: a guerra contra o Paraguai, que tanto os americanos quanto os europeus tinha poucas e distorcidas informações; os diversos movimentos contrários à escravidão; e por fim o grande movimento de imigrante norte americanos do sul (1865), após a sangrenta batalha civil, dos quais eles foram os grandes derrotados. Também em forma de apêndice trata-se da permanente e continua ação de protestantes na sociedade brasileira. Igualmente fazem referências aos principais jornais brasileiros, bem como aos autores nacionais de destaque na época.
            Um capítulo inteiro é dedicado à pessoa do Imperador D. Pedro II, pelo qual Fletcher tinha enorme apreço e deslumbrava a possibilidade de vê-lo abraçando o cristianismo reformado. Outro capítulo é dedicado às demais figuras de expressão da política brasileira, bem como seus respectivos partidos. Reservam-se também amplas informações sobre a grande expedição cientifica realizado pelo eminente cientista Professor Louis Agassi[2] que repercutiu tanto no Brasil quanto no exterior e do qual se produziu posteriormente sua narrativa desta viagem.
            Os autores proporcionam também uma importante bibliografia crítica de obras e artigos sobre o Brasil, que foram produzidas no interim dos dez anos, tanto no exterior quanto no próprio país. O tradutor brasileiro procura indicar as referências quando traduzida e/ou editadas para o português.
            Por fim os autores fazem uma série de agradecimentos de eminentes personagens da vida pública brasileira que estiveram envolvidos diretamente na elaboração e edição da referida obra.
            Como uma espécie de apêndice deste Prefácio, eles inserem uma série interessante de informações úteis para aqueles que desejassem aportar no Brasil. Podemos perceber um pouco da infraestrutura oferecida aos que aqui chegavam para fazer negócios ou simplesmente conhecer o Brasil.
           
PREFÁCIO DA 6ª EDIÇÃO
A favorável acolhida que tiveram as cinco edições anteriores da presente obra nos Estados Unidos, na Inglaterra e no Brasil, demonstra um interesse crescente pela maior e mais estável das nações sul-americanas. Talvez que a ilustração que acompanha o Prefácio da Primeira Edição não tenha mais hoje a sua razão de ser como há dez anos passados, mas a verdade é que ainda impera a maior ignorância a respeito do Brasil na Europa e na América do Norte. A presente edição dará uma boa ideia sobre o progresso moral e material do Brasil no decorrer dos últimos dez anos.
Se bem que várias obras recentemente publicadas a partir de 1857 tratem em particular de certas regiões do país, nenhuma outra em língua inglesa dá como esta uma visita geral do Brasil e dos brasileiros. No que concerne à vida política e social do Império, na medida em que ela se acha centralizada no Rio de Janeiro, a história e a descrição dos acontecimentos e dos negócios na capital exprimem, em grande parte, o que se passa em todo o país. Em vista disso, o leitor é chamado a deter-se mais demoradamente na cidade em que reside o Imperador e o Parlamento realiza as suas sessões.
A partir de 1857, um dos autores da presente obra (J. C. F.) visitou o Brasil quatro vezes em anos diferentes, morando longo tempo no Rio de Janeiro, passando alguns dias em plantações e observando os sucessivos aspectos da escravidão no Brasil; realizando extensas viagens ao longo do litoral, e penetrando no interior. Em 1862, subiu o rio Amazonas até às fronteiras do Peru — mais de duas mil milhas de percurso ao longo do rio mais maravilhoso do mundo.
Era intenção dos aurores publicar uma nova edição em 1864, porém compromissos inesperados, neste e no ano seguinte chamaram o segundo dos autores ao Brasil e impediram a realização desse propósito, sendo, porém, de esperar que as vantagens de informes mais recentes hajam compensado, com vantagens, a demora involuntária.
A experiência dos autores sobre as coisas do Brasil se estende por um longo período de tempo, e foi com toda a consciência e imparcialidade que se esforçaram em manifestar o seu modo de julgar o país e os seus habitantes. Não tinham motivos para proceder de outra forma Se é verdade que não pouparam o que lhes pareceu errado, quer em assuntos de religião quer em assuntos de escravidão, etc. também não regatearam louvores, quando devidos, e não foi intencionalmente que deixaram de enaltecer algum aspecto bom dos brasileiros. Para homens de negócio estrangeiros, mal sucedidos em suas empresas, ou para viajantes apressados que percorrem o país ignorando as línguas portuguesa e francesa, sem nunca se associarem à vida dos habitantes, as descrições feitas por quem residiu longos anos no Império, ou percorreu-o demoradamente poderão parecer exageradas. Deve-se ter sempre em mente a origem dos brasileiros, que o Brasil é um país novo entre os demais países do mundo, e que a única forma verdadeira de comparar o Brasil não é medir o seu progresso pelo dos Estados Unidos, Inglaterra ou França, mas sim pelo das demais nações de raça latina da América.
Para tratar pormenorizadamente das transformações e progressos que o Brasil realizou nos últimos dez anos, seria necessário o espaço de um volume. Assim, foram acrescentadas, em emendas e aditamentos, em notas e apêndices, cerca de cem páginas de matéria nova á presente edição, tendo-se também, em muitos casos, alterado e acrescido o texto. Tanto quanto possível, foi toda a matéria posta em dia (1886) por meio de notas colocadas no final dos capítulos. Em alguns casos, cartas e descrições de viagens foram conservadas, sem mencionar datas, pelo fato de se referirem a hábitos e costumes que não sofreram alteração. Quando o assunto exigia maior espaço, preferiu-se tratá-lo em Apêndice. Dessa forma, a recente guerra contra o Paraguai (acerca da qual se tem manifestado, não só nos Estados Unidos como na Inglaterra, tanta ignorância como a da Europa em relação à última Rebelião nos Estados Unidos), encontrará o leitor um resumo de suas origens e acontecimentos no capítulo XVIII.
A escravidão no Brasil vem tratada no capítulo VIII.
A emigração para o Brasil tem ultimamente atraído grande atenção, principalmente no Sul dos Estados Unidos, depois de 1865. Sobre esse tema, encontrar-se-ão informações no capítulo XIII, bem como no discurso do Sr. Paula Souza, no último capítulo.
Intimamente relacionado com esse tema, segue-se o das atividades dos protestantes que, no ponto de vista do progresso moral, vem, melhor do que em qualquer outra parte da presente obra, no discurso do Sr. Furquim de Almeida e no artigo do Apêndice I.
Os recursos minerais do Brasil são reconhecidamente valiosos. As fontes principais são as minas de ouro e diamantes, porém até agora se tem notado certa deficiência de minerais úteis. Essa necessidade, entretanto, foi afinal suprida. Foi descoberto carvão em várias das províncias costeiras, sendo que a mais importante dessas descobertas foi realizada pelo Sr. Nathaniel Plant[3] (do Museu Britânico) no Rio Grande do Sul. Para uma notícia minuciosa dessas ricas minas de carvão, veja-se o Apêndice H. Nesse mesmo Apêndice, ver-se-á que as novas minas de ouro do Sr. Tasso,[4] no Nordeste brasileiro, demonstram que o precioso metal não se confina em absoluto à região de São João del Rei.
Os principais jornais brasileiros da capital vêm referidos no capítulo XIV, assim como a literatura brasileira e alguns de seus principais representantes, assunto esse que deve interessar a muitos leitores anglo-saxões.
Além das frequentes menções que vêm feitas na presente obra aos méritos e capacidades do Imperador Dom Pedro II, dedicou-se um capítulo, o capítulo XIII, especialmente à sua personalidade.
No capítulo X, encontrar-se-ão referências a estadistas e partidos políticos.
Em 1865, o conhecido sábio Professor Agassiz, acompanhado por uma comissão científica norte-americana, visitou o Brasil a convite do Imperador. O Professor Agassiz realizou extensas e interessantíssimas explorações, cujo relato em breve será dado a público.[5] Suas investigações sobre a região amazônica despertaram grande interesse entre os homens da ciência. O Major Coutinho[6] oficial de engenheiros do Exército brasileiro, por ordem do Imperador, acompanhou o Professor Agassiz nas suas explorações no Amazonas, tendo posteriormente publicado no Rio de Janeiro, em português e inglês, uma descrição parcial da maravilhosa fauna descoberta pelo Professor Agassiz no Norte do Brasil. Damos em Apêndice uma tradução de trechos dessa descrição.
De alguns anos a esta data, têm aparecido várias obras sobre o Império do Brasil, na Inglaterra, França Alemanha e Brasil. Entre elas, merecem menção a de Bates Naturalist on the Amazons, livro encantador e o melhor até hoje publicado sobre essas maravilhosas paragens.[7] A obra Deux Années au Brésil de Biard é, afora as suas belas ilustrações, o mais infiel livro jamais publicado sobre um país. O autor parece não ter refletido seriamente sobre o seu assunto. Survey of the River San Francisco, por Halfeld,[8] é um magnífico e volumoso in-folio, publicado no Rio de Janeiro, a respeito do qual referiu-se Sir Roderick Murchison, perante a "Royal Geographical Society", da seguinte forma: "Qualquer país se poderia orgulhar de semelhante obra". Não pode ser adquirido, porém alguns exemplares do mesmo foram enviados pelo Governo do Brasil às bibliotecas norte-americanas e europeias. Os artigos de Elisée Reclus, publicados na "Revue des Deux Mondes", em 1862, deixam ver que o autor é um ardoroso amigo da liberdade, mas que foram escritos após uma visita muito rápida ao Brasil, pois as suas conclusões são algum tanto apressadas, mormente quando se baseiam no livro de Biard e na obra, interessante porém parcial, do Dr. Avé Lallemant Reise durch sud Brasilien, Leipsig, 859. Grande número de publicações alemãs têm surgido relativas à "colonização" dos alemães no Brasil (a qual, em muitos casos, foi uma vergonhosa mistificação), mostrando-se os autores dessas publicações dispostos a não considerar com a mínima vontade todas as coisas do Brasil. Thomas Woodbine Hinchliff escreveu, sob o título South American Sketches" (Longmans, Londres, 1863), um trabalho muito bem cuidado e de agradável leitura.[9](*7). O Sr. Pereira da Silva está atualmente escrevendo uma história completa do Brasil em língua portuguesa. O Sr. Aguiar (de São Paulo)[10] num folheto intitulado "O Brasil e os Brasileiros", dá-nos algumas apreciações muito cáusticas sobre os seus concidadãos. O Sr. Soares, do Rio Grande do Sul, escreveu uma importante obra estatística sobre os recursos do Brasil. O Sr. M. M. Lisboa[11] iniciou, em seu trabalho Romances Históricos, um novo rumo literário que seria de desejar fosse explorado pelos escritores brasileiros. O Sr. A. C. Tavares Bastos, em suas Cartas do Solitário[12]  deu ao público brasileiro a mais valiosa das contribuições sobre as questões políticas, econômicas e morais que tão profundamente se relacionam com o bem-estar do Império. Uma excelente obra sobre os recursos do Brasil foi publicada em 1863 pelo Barão de Penedo (Ministro do Brasil na Inglaterra)[13] por ocasião da representação do Brasil na Grande Exposição de Londres, em 1862.
Os autores agradecem, pelas correções e contribuições feitas na presente edição, aos Srs. Robert William Garrett, do Rio de Janeiro, Brambier, do Pará, Sua Exc. o Sr. d'Azambuja, Ministro brasileiro nos Estados Unidos, Cavaleiro d'Aguiar(*12),[14] Cônsul-Geral do Brasil em Nova York, e aos Professores Gumere e Cope, de Haverford College, Filadélfia.

   Outubro de 1866.

   Nota do tradutor(*): Muitas das referências bibliográficas aqui publicadas foram colhidas na excelente memória de Rodolfo Garcia sobre História das Investigações Científicas, que constitui o capítulo XXV do Dicionário Histórico, Geográfico e Etnográfico do Brasil, publicado pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 1922.

INFORMAÇÕES PARA QUEM VAI AO BRASIL        
            A língua portuguesa é a falada em todo o Brasil. Não é um dialeto do espanhol, porém uma língua distinta: como disse Vieyra, é a filha mais velha do latim. O português e o francês são as línguas da Corte. Um sexto da população das cidades mais importantes fala francês. Os que conhecem as línguas francesa, italiana ou espanhola facilmente aprenderão o português. O inglês é falado em todas as escolas mais adiantadas, e é grato aos americanos saber que, na capital, e em outras cidades importantes, os Class Readers de George S. Hillard, Esq., (autor de Six Months in Italy), são adotados nas aulas. Se bem que os Srs. Trübner & C., de Londres, e os Srs. Appleton, de Nova York, tenham publicado manuais para o aprendizado da língua portuguesa, parece-nos vantajoso dizer que, depois de um inglês ou um anglo-americano conseguir dar às vogais a pronúncia apropriada, do Continente, aprender as contrações, acentos, etc., e as particularidades de duas ou três consoantes, achará o português a mais fácil de todas as línguas estrangeiras. A terminação ão deve ser pronunciada quase como oun da palavra inglesa noun. As palavras terminadas em ões são pronunciadas como se um n fosse intercalado entre o e e o s; assim, Camões, em inglês se lê Camoens. As terminações em e in são aproximadamente pronunciadas como eng e ing em inglês: p. ex., Jerusalém se pronuncia Jerusaleng X tem o valor de sh; assim, um dos grandes afluentes do Amazonas, o Xingu, deve pronunciar-se: Shingú.
A palavra Dom (dominus), que sempre precede o nome do Imperador do Brasil, não e usada indiferentemente como o Don dos espanhóis, porém e um título empregado pelos portugueses e seus descendentes exclusivamente em relação aos monarcas, príncipes e bispos.
Um mil réis vale cerca de 56 centavos, ou dois shillings e seis pence em Inglaterra. As quantias em dinheiro no Brasil são representadas pelo sinal do dólar ($) depois da palavra mil: assim, 5$500 quer dizer cinco mil e quinhentos réis, cerca de três dólares. Um conto de reis corresponde a pouco mais de £ 112.
As vestimentas, como é natural, devem ser adaptadas ao clima; mas leve-se sempre alguma roupa de lã, pois no interior, e ao sul da Bahia, o termômetro marca frequentemente 60°Fahrenheit [15,5ºC] . Quase desnecessário será dizer que uma casaca é indispensável para os que vão a palácio. Todos os objetos de uso pessoal, como roupa usada, por exemplo, são livres de imposto; mas os viajantes deverão lembrar-se de que não devem vir providos de charutos. Há muitos reembolsos de fretes pagos na Alfândega por objetos pertencentes a emigrantes, material agrícola, maquinismos, etc.
Quanto às leis de patentes, modos de obter privilégios de invenções, etc., o Sr. William V. Lidgerwood, Esq., (encarregado de negócios dos Estados Unidos em 1865-66) pode dar melhores informações do que ninguém sobre o Brasil. Reside no Rio de Janeiro.
Os Srs. Trübner & Cia. (60, Poternoster Row, Londres) estão em condições de fornecer livros brasileiros e portugueses a qualquer país da Europa e da América. Tivemos satisfação de saber que essa casa editora vai publicar um novo e completo Dicionario Inglês-Português — ideia de grande alcance, pois todos os léxicos existentes são muitíssimo antiquados.
Publicações inglesas e americanas de obras notáveis e literatura ligeira podem ser obtidas em H. M. Lane & Cia., à rua Direita 15, Rio de Janeiro; e em Guelph de Lailhacar & Cia., Rua do Crespo, Pernambuco, e na cidade de São Paulo.
Carrington & Cia., "Expresso Norte-Americano e Brasileiro", apresenta grandes vantagens por ter acompanhado o desenvolvimento das Companhias de Navegação dos Estados Unidos e do Brasil. Os Srs. Carrington & Cia., (30 Broadway, Nova York), encarregam-se de entregar encomendas postais e dinheiro, ou executar ordens no Pará, Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro, e vice-versa. George N. Davis, Esq., Comissário de Mercadorias, Rua Direita, 92, é o seu agente no Rio de Janeiro.
Os hotéis no Brasil não se comparam com os da Europa e Estados Unidos. No Rio todos são caros, variando o preço, conforme o quarto, de 10 shillings a 1 £. O Hotel do Comércio e o Hotel dos Estrangeiros são os melhores hotéis ingleses da capital. O Hotel da Europa é o melhor dos hotéis franceses. O estabelecimento de Bennett, a uma hora do Rio, é o ponto mais agradável do Brasil. Na Bahia, o Hotel Furtin é um bom restaurante, que convém muito aos que chegam por mar. Em Pernambuco, o Hotel Universal oferece as mesmas vantagens. Os hotéis de Bahia e Pernambuco são pequenos, comparados aos do Rio. Os preços de 1855 aumentaram em 1866 de um terço até metade — exceto em Petrópolis, onde há vários bons hotéis.

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
me.ivanguedes@gmail.com
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Referências Bibliográficas
KIDDER, D. P. & FLETCHER, J. C. Brazil and the Brazilians, portrayed in Historical and Descriptive Sketches (9ª. ed.). Philadelphia: Childs & Peterson, 1879.
KIDDER, D. P. e FLETCHER, J. C. O Brasil e os brasileiros – esboço histórico e descritivo, v. 1.Brasiliana – Biblioteca Pedagógica Brasileira. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1941 [Tradução da 7ª. edição em inglês - Elias Dolianiti e Revisão e Notas de Edgard Sussekind de Mendonça].
KIDDER, Daniel P. Sketches of Residence and Travels in Brazil, Embracing Historical and Geographical Notices of the Empire and its Several Provinces. Philadelphia: Sorin & Ball, 1845.
OLIVEIRA, D. V. “The Brazil and The Brazilians”: Apontamentos documentais e analíticos de uma publicação norte-americana sobre o Brasil no século XIX. Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo, julho 2011.
_______________. A “sólida e estável” Monarquia nos Trópicos: Imagens sobre o Brasil e os Brasileiros no livro Brazil and Brazilians – portrayed in Historical and descriptive sketches, 1857.Dissertação apresentada à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 2013.

PRATT, Mary Louise. Os olhos do Império: Relatos de Viagens e Transculturação. Bauru: EDUSC, 1999.





[1] O livro terá apenas uma única versão em português em 1941, da qual estou transcrevendo e comentando no blog.
[2] Agassiz, Jean Louis Rodolph, 1807-1873. Viagem ao Brasil 1865-1866. Tradução e notas de Edgar Süssekind de Mendonça. – Brasília : Senado Federal, Conselho Editorial, 2000. (Coleção O Brasil visto por estrangeiros).
[3] Nota do Tradutor: Nathaniel Plant — The Brazilian Coal-fields, with a Description of the Plant — Remains by W. Carruthers, in "Geological Magazine", v. 6, nº 4, abril de 1869. Anteriormente já publicara: Report on the coal mines of River Jaguarão, in the Province of São Pedro do Rio Grande do Sul, 1867.
[4] Nota do Tradutor: Jaccomo Tasso, concessionário de minas em Piancó, Paraíba do Norte — ver Apêndice D.
[5] A journey in Brazil por Louis Agassiz e Elizabeth Cary Agassiz, Edição brasileira publicada nesta Brasiliana nº 95, sob o título Viagem ao Brasil, tradução e notas de Edgar Sussekind de Mendonça.
[6] J. M. da Silva Coutinho, major de engenheiros do Exército Brasileiro, autor Relatório sobre a Exploração do Rio Madeira, 1862; Relatório sobre a Exploração do Rio Purus, 1862; acompanhou o Prof. Agassiz em sua Expedição ao Amazonas, tendo em colaboração com esse cientista, feito comunicações à Academia de Ciências de Paris.
[7] Henry Walter Bates Naturalist on the Rio Amazon, Londres, 1863, 2 vols., trad. a ser brevemente editada nesta Brasiliana sob o título Um naturalista no Amazonas.
[8] Henrique Guilherme Fernando Halfeld Relatório concernente à exploração do Rio de São Francisco, desde as cabeceiras de Pirapora até o Oceano Atlântico, levantado por ordem do governo de S. M. Dom Pedro II em 1852, 53 e 54, Rio de Janeiro, tip. de Georges Bertrand, 1858. Atlas, Litografia Imperial de Eduardo Rensburg, 1860.
[9] Thomas Woodbine Hinchlift South American Sketches, or a Visit to Rio de Janeiro, the Organ Mountains, La Plata and the Paraná, Londres, 1863.
[10] Antonio Augusto da Costa Aguiar. O Brasil e os Brasileiros, Santos, 1862.
[11] Miguel Maria Lisboa. Romances históricos por um brasileiro, Bruxelas, 1866.
[12] A. C. Tavares Bastos Cartas do Solitário, 3ª edição publicada nesta Brasiliana, nº 115.
[13] Barão de Penedo (Francisco Ignacio de Carvalho Moreira).
[14] Luiz Ferreira de Aguiar.