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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Reações Católicas ao Movimento da Reforma Protestante do Século XVI


            Quando usamos o termo Reforma Protestante estamos nos referindo ao maior movimento de reforma religiosa cristã ocorrido na Europa no período de 1500-1700 e que redesenhou completamente o mapa da cristandade mundial.
            Este movimento reformador que eclodiu no século XVI ainda hoje continua sendo sentido na existência de diversas denominações evangélicas oriundas diretas deste movimento que saindo da Europa se estabeleceram nos Estados Unidos e posteriormente foram implantadas nos mais diversos países, incluindo a América Latina e mais particularmente o Brasil.
            Advindas do denominado protestantismo histórico temos no país seus principais ramos como o presbiterianismo, metodismo, congregacionais, luteranos e metodistas, e ainda que não gostem de serem incluídos, os batistas.
            Mas o movimento da Reforma Protestante não apenas deu origem a estas diversas, e muitas outras, denominações evangélicas cristãs, como também acabou produzindo reações e transformações no próprio catolicismo romano, que teve que procurar se ajustar à nova realidade de seu domínio religioso que se fragmentava rapidamente. Portanto, as reações católicas são muito mais no sentido de não perder completamente seu monopólio do cristianismo, do que propriamente uma preocupação reformista de suas práticas cristãs à luz das Escrituras.
           
Introdução
            Por um milênio (500-1500 d.C.) a Igreja Católica Romana estendeu seu pleno domínio sobre tudo e sobre todos sem qualquer questionamento sobre sua autoridade. Neste período todos os focos ou tentativas de questionamento foram completamente dizimados sem dó ou piedade.
            Sem contar o denominado Grande Cisma (1378-1417) que separou o cristianismo do Oriente do Ocidente, somente no século XVI com a eclosão da chamada Reforma Protestante de fato ocorre uma grande ruptura nas entranhas do catolicismo romano.
            Mas somente quase vinte anos depois de iniciado o movimento reformado a Igreja Romana esboçou uma reação interna para conter o avanço e consequente desmanche produzido pelo impacto reformista protestante.
            Ainda que questionado e até rejeitado por muitos historiadores romanos esta reação da Igreja Romana é comumente denominada de Contrarreforma. Seu objetivo imediato era reassumir o controle sobre o cristianismo europeu. De imediato recupera a maior parte da Polônia e Áustria, partes do sul da Alemanha, bem como a manutenção da Bavária, Bélgica e Irlanda sob seus domínios.
            Essa reação do catolicismo romano foi bem-sucedida por algumas razões:
1) os diversos movimentos reformistas abriram mão precocemente de seu entusiasmo evangélico e/ou reformista.
2) e certamente um dos mais graves, o desenvolvimento de um espírito polemista agressivo e beligerante que contagiou praticamente todos os segmentos reformistas, que em pouco tempo estilhaçou qualquer possibilidade de uma unificação do movimento.
3) O catolicismo com sua figura catalizadora do Papa manteve seu sistema organizado, mesmo em meio ao movimento reformador.
4) A Igreja Romana se apropriou do espírito reformador para implementar sua própria reforma interna (cf. abaixo).
            Ao expor as entranhas do catolicismo, o movimento reformado acaba por exigir das lideranças católicas romana uma resposta às mais diversas críticas recebidas. De fato, houve uma substancial reforma no clero romano, especialmente na Espanha, todavia, praticamente não se mudou praticamente nada nas questões doutrinárias do catolicismo, perpetuando todos os seus desvios do cristianismo bíblico.
            Para coibir a proliferação dos conceitos teológicos-reformados, através da crescente produção de literatura de Lutero-Calvino e tantos outros proeminentes teólogos reformados, a Igreja Católica criou o “Index”, espécie de catálogo que listava os livros que estavam vetados/proibidos aos seus membros lerem.
            Outra reação do clero romano foi a reativação do conceito medieval da Inquisição. Todos os que ousassem proferir conceitos reformistas ou não católicos foram cruelmente torturados e mortos pelos tribunais inquisidores. Essa horrenda prática foi bem-sucedida na Itália e Espanha e relativamente sucedida em outros domínios católicos, incluindo Portugal. Mas outros países, como por exemplo a Holanda, apesar de terríveis perseguições, os inquisidores foram frustrados e posteriormente o movimento protestante acabou prevalecendo nos países baixos.
Jesuítas
            Mas com toda certeza, a mais bem-sucedida reação do catolicismo romano foi a criação da ordem dos Jesuítas. Tendo recebido a denominação de Sociedade de Jesus, eles foram originados em Paris em 1534 por Inácio Loyola, tendo como prioridade máxima reinserirem as pessoas na Igreja Católica Romana.
            Para alcançar seus objetivos fins utilizaram-se de todos os meios disponíveis sem quaisquer escrúpulos em seus métodos – aplicando o conceito de que os fins justificam os meios.
            Atuaram fortemente na questão educacional para barras as influências dos reformados nesta área; influenciaram e usufruíram do poder político para impor avanços na manutenção e avanço da causa romana; um dos mais famosos foi Francis Xavier (1506-1552) que propagou a fé cristã jesuíta por toda Ásia. Afirmara que na Índia e Japão havia batizado pelo menos 700.000 convertidos. Suas práticas sincretistas ao extremo nunca foi autentica pela cúria romana, mas que também jamais a repudiou abertamente. Os jesuítas foram ativos também tanto na América do Norte quanto na América do Sul. Aqui no Brasil, por causa da chamada reforma Pombalina, que expulsou a ordem dos jesuítas de todos os domínios portugueses, a influência deles foi minimizada, o que acabou favorecendo posteriormente a implantação menos traumática do protestantismo no país nos finais dos oitocentos.
            Mas como diz o ditado - o poder corrompe – a influência dos jesuítas tornou-se tão grande e suas metodologias tão imorais que ameaçaram o próprio catolicismo, de maneira que o Papa Clemente XIV aboliu essa ordem religiosa. Somente após um período de quarenta anos, em 1814, o Papa Pio VII, em nova reação às perdas de seus fiéis, restaurou os jesuítas à sua posição.
Concílio de Trento
            Esse Concílio, que se reuniu ao longo dos anos de 1545 a 1563, sob a direção de pelo menos três papas, com um total de 25 sessões deliberativas, foi a grande resposta doutrinária do catolicismo, frente ao movimento reformado. Emergiu deste Concílio a nova ortodoxia católica que deveria ser ensinada e exigida de todos os seus professantes.
            Podemos citar aqui algumas destas diretrizes teológicas:
1)    A Vulgata Latina deve ser a Bíblia autorizada para todos os católicos;
2)    Os chamados livros apócrifos foram ratificados como inspirados e parte integrante da Bíblia católica;
3)    O conceito de purgatório foi mantido como tendo respaldo bíblico;
4)    A tradição da Igreja foi mantida como tendo valor em igual autoridade com as Escrituras;
5)    Foi mantido o valor de imagens, relíquias e indulgências;
6)    Todo católico deve aceitar somente a interpretação da Escritura dada pela Igreja;
7)    Manteve-se a necessidade dos sacramentos para a verdadeira salvação;
8)    Foi ratificada a autoridade do papa sobre a Igreja.

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
me.ivanguedes@gmail.com
Outro Blog
Reflexão Bíblica
http://reflexaobiblica.spaceblog.com.br/

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sábado, 30 de julho de 2016

O JOVEM MESTRE – Rev. Richard Shaull

            Uma das áreas mais atuante no protestantismo implantado no Brasil é sem dúvida alguma a educação. Tanto internamente, no contexto institucional-eclesiástico, quanto externamente, no âmbito da sociedade brasileira, o protestantismo tem produzido um número significativo de figuras proeminentes no campo educacional.
            Desde seus primórdios o presbiterianismo zelou e fomentou uma educação de alto nível. Seus primeiros pastores tinham uma formação acadêmica de nível universitário, recebendo uma formação multidisciplinar, capacitados a discorrer não apenas sobre as questões teológicas, mas sobre todas as demais áreas do conhecimento humano.
            Nos quadros de pastores presbiterianos encontraremos muitos que além de exercerem com excelência funções pedagógicas, também se constituíram em produtores de material didático e pedagógicos que foram amplamente utilizados a nível nacional, tanto na área da língua portuguesa, gramatica e filologia, quanto na matemática.[1] Uma figura proeminente, da segunda geração presbiteriana, é sem dúvida alguma o Rev. Erasmo Braga que dentre muitas das suas obras se sobressai a chamada - Série Braga - um conjunto de quatro livros de leitura para a escola primária, que alcançaram mais de cem edições e foram utilizados em todo o Brasil.[2]
            Em um âmbito mais educacional-eclesiástico, quero resgatar a figura proeminente, mas certamente também muito controversa, do missionário estadunidense Rev. Millard Richard Shaull (1919 - 2002) que chega ao Brasil (1952) através do convite da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), na presidência do Rev. Benjamim Moraes Filho.     
Ele chega assumindo a cátedra no Seminário Presbiteriano de Sul (Campinas). No ano de sua chegada (1952) sai um artigo dele na Revista Teológica do SPS, relatando a perseguição sofrida pelos protestes na Colômbia, que havia testemunhado de forma ocular; ele é apresentado pelo redator da revista desta forma:
O Rev. Richard Shaull é atualmente missionário do Board de Nova Iorque, no Brasil, transferido da Colômbia para este país.
Estudou em Princeton Seminary onde, em 1941, recebeu o grau de ―Bachelor of Theology‖ e em 1946 o de ―Master of Theology‖. É candidato ao grau de ―Doctor of Theology‖ do mesmo Seminário tendo já prestado, neste ano, os necessários exames compreensivos.
Foi missionário na Colômbia de 1942 a 1951. Lá exerceu as funções de superintendente de evangelização, conselheiro da Federação Nacional de Mocidade, secretário permanente do Sínodo da Igreja Presbiteriana da Colômbia, fundador e diretor do Seminário Teológico Presbiteriano e pastor da Igreja Presbiteriana Central de Bogotá.
O Rev. Shaull tem publicado artigos na ―Presbterian Life, em ―Theology Today, no ―Christian Centry no ―Student World e no ―Predicador Evangélico. (1952, p. 71).
A chegada de Shaull vai causando alvoroço desde o início e aflorando as diferenças de pensamentos que estavam tentando conviver dentro da instituição acadêmica e da própria denominação protestante.
Mas se entre os docentes havia certa divisão e uma atmosfera de desconfiança, entre os alunos o entusiasmo era contagiante e expansivo, ultrapassando rapidamente os muros acadêmicos e alcançando a juventude presbiteriana e outras, que aspiravam promoverem as transformações que o país tanto carecia naquele momento. E Mendonça faz uma descrição desta geração de jovens protestantes:
O protestantismo, já em sua terceira geração no Brasil, formara em seu seio uma juventude burguesa intelectualizada pelo acesso às universidades que foram surgindo no período anterior. Treinados para lideranças em suas igrejas, esses jovens começaram a ter logo parte ativa nos quadros estudantis que formavam os centros acadêmicos nas escolas superiores e, assim, passaram a ver a realidade sob outro ângulo, ou melhor, voltaram suas faces para o mundo real. Ao perceberem o quanto suas igrejas estavam alheias ao que se passava fora de suas portas, passaram a falar outra língua e se abriu um vazio entre eles e as lideranças eclesiásticas. (2012, p. 87).
Corroborando esta percepção do envolvimento da mocidade presbiteriana com os anseios da sociedade escreve o também professor Guilherme Kerr em artigo no jornal oficial da IPB ―O Puritano:
[...] Porque o que temos visto por parte da mocidade nesses últimos dez anos é que ela, se de um lado está disposta a assumir a sua responsabilidade na salvação das almas, por outro não se esquece do corpo, e anseia por encontrar solução para os problemas que afligem o homem dentro da sociedade. Essa dualidade de interesses que, segundo cremos, não se opõem, mas se completam, choca-se com os interesses dominantes da igreja evangélica no Brasil. (10/02/1953 – Itálico meu).
E mediante o testemunho ocular de Luz, obtemos um perfil da pessoa de Shaull, isenta de qualquer paixão, visto que a descrição parte de alguém que contestava abertamente os conceitos e movimentos produzidos pelo missionário:
Inteligente e culto, habilidoso e astuto, dinâmico e arrojado, simpático e contagiante, o ilustre professor não foi remisso em aproveitar a fundo a magnífica oportunidade que se lhe deparava, nem deixou de tirar o máximo partido da privilegiada posição a que fora guinado. (1994, p. 260 – Itálico meu).
E de fato o veterano professor estava certo em sua leitura, pois inúmeros jovens foram impactados pelas ideias e pela convivência com este jovem professor, pastor, missionário, escritor, intelectual e idealista; alguns destes jovens alcançaram projeção nacional e internacional, como Rubem Alves, Waldo Cesar, Julio de Santa Ana, Zwinglio Dias e Rubem César Fernandes, entre tantos outros que poderiam ser listados aqui e toda uma geração de jovens presbiterianos em particular e protestantes de forma geral jamais puderam pensar no Evangelho da mesma forma, depois de Shaull. O pesquisador Paixão Junior, que entrevistou alguns destes alunos nos possibilita alguns testemunhos oculares, dos quais sito apenas o de Rubem Alves, então cursando o primeiro ano de teologia no SPS e foi aluno de Shaull:
O primeiro espanto que nos causou o Shaull foi exatamente este, que ele simplesmente nos perguntou se não nos dávamos conta de que o sagrado não podia crescer em jardins internos e protegidos, que ele é selvagem e indomável, vento que sai pelos desertos ressuscitando mortos e, pelas cidades, assobiando nos mercados, nas escolas, nos quartéis, nos palácios, nos bancos (...) a gente pensava em converter o mundo à igreja. O Shaull dizia que era preciso o contrário, que a igreja se convertesse ao mundo: sair do jardim interno, protegido e cavalgar o vento (...) para ele, era justamente nos problemas do mundo que se encontravam as marcas de Deus. Deus aparece como homem no lugar onde a vida humana comum é vivida: este é o sentido da encarnação. (2000, p. 124)
Analisando os posicionamentos em relação a Shaull, pelos Presidentes do Supremo Concilio que com ele conviveram, ainda que pela ótica de uma ortodoxia conservadora, Campos Jr. em seu trabalho sobre os seminários presbiterianos no período de 1950 a 1966, assim expressa:
Dentre os presidentes do Supremo Concílio, Benjamim Moraes o recebeu bem quando ele chegou ao Brasil, José Borges dos Santos Jr foi mais tolerante no inicio, pois não queria que ele saísse; diante das pressões parece ter cedido. Boanerges Ribeiro o classificou como o principal disseminador de ensinos heterodoxos. (2003, p. 109 – Itálico meu).
Em 1966, Shaull foi - removido - do Brasil pela Missão Central, ou Missão Presbiteriana no Brasil, ambas remanescentes da - Foreign Missions – pela qual atuava no Brasil e que o trouxe para a América do Sul em 1942, motivados com certeza pelas expectativas de um radicalismo conservador que veio de fato a se concretizar nos anos posteriores.
Sua saída vai deixar órfãos toda uma geração, que fora contagiada pelo vírus de um Evangelho beligerante, mas que será extirpada do perímetro da IPB, através de uma sistemática e prolongada repressão por parte de seus próprios líderes. Nada é mais dolorido e produz maior decepção do que ser perseguidos pelos de sua própria casa. Pouco mais de cinquenta anos se passaram e a IPB ainda não conseguiu nem ao menos chegar perto de ter uma Mocidade semelhante àquela que - alvoroçou o mundo - com suas propostas e mensagem evangélica, como Paulo e os cristãos do primeiro século foram vistos pelos moradores da cidade de Éfeso.
Desde aquela época a juventude presbiteriana contentou-se em cultivar um cristianismo de gueto e de zona de conforto, produzindo e reproduzindo uma igreja morna e insossa em relação à sua ação e influencia na sociedade brasileira.
Foi durante o IV Congresso Nacional da Mocidade Presbiteriana,[3] realizado de 02 a 10/02/1956 na cidade de Salvador, que o Rev. Richard Shaull foi homenageado como o título carinhoso de - Jovem Mestre - em deferência ao Rev. Borges que já vinha sendo chamado pelos jovens, desde outros Congressos, de - Velho Mestre. (JORNAL DA MOCIDADE, Fevereiro de 1956, Apud ARAÚJO, 1985, p. 37).[4]

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
me.ivanguedes@gmail.com
Outro Blog
Reflexão Bíblica
http://reflexaobiblica.spaceblog.com.br/

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Referências Bibliográficas
ARAÚJO, João Dias de. Inquisição sem fogueiras, 2ª Ed. Rio de Janeiro: Instituto Superior de Estudos da Religião, 1985 (Edição digital – PDF).
CAMPOS JÚNIOR, Héber Carlos de. A reação da Igreja Presbiteriana do Brasil ao “Modernismo” dentro de seus seminários nas décadas de 1950 e 1966. Dissertação (Mestrado em Divindade) - Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, São Paulo, 2003.
CASTRO, Luís Alberto de. A Trajetória do “Velho Mestre: Uma Biografia do Rev. José Borges dos Santos Júnior – um recorte historiográfico da Igreja Presbiteriana do Brasil. Dissertação (Mestre em Divindade) – Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, São Paulo, 2011.
GUEDES, Ivan Pereira. O protestantismo na cidade de São Paulo – presbiterianismo: primórdios e desenvolvimento do presbiterianismo. Alemanha: Ed. Novas Edições Acadêmicas, 2013.
LUZ, Waldyr Carvalho. Nem General nem Fazendeiro, Ministro do Evangelho. Campinas: Luz Para o Caminho, 1994.
MENDONÇA, Antonio Gouvêia. O protestantismo no Brasil e suas encruzilhadas. IN: PEREIRA, João Baptista Borges (org.). Religiosidade no Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2012.
PAIXÃO JUNIOR, Valdir Gonzales. A Era do Trovão: poder e repressão na Igreja Presbiteriana do Brasil no período da ditadura militar (1966-1978). Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião) – Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2000.
O PURITANO. Edição de 10/02/1953. Disponível e consultado no arquivo do Centro de Documentação – CEDOC da IPB, em São Paulo-SP, no primeiro semestre de 2013.
REVISTA TEOLÓGICA – Seminário Teológico Presbiteriano de Campinas, n° ?, 1952.




[1] Vários autores presbiterianos se notabilizaram pelos seus livros didáticos. São eles: Antônio Bandeira Trajano, com suas obras Aritmética primária, Aritmética elementar, Aritmética progressiva e Álgebra elementar; Modesto Carvalhosa, com Lições práticas de escrituração mercantil, e Eduardo Carlos Pereira, com sua famosa série de gramáticas para os cursos médio e superior (Gramática expositiva – curso elementar, Gramática expositiva – curso superior e Gramática histórica), o que o levou a ser considerado um dos sistematizadores do ensino da língua portuguesa e Otoniel Mota também contribuiu com algumas obras úteis nessa área, tais como O meu idioma, Lições de Português e um comentário do poema Os Lusíadas. Um trabalho acadêmico muito bem elaborado sobre essa literatura pedagógica protestante e sua utilização, ver LAGUNA, Shirley Puccia. Uma leitura dos livros de leitura da Escola Americana de São Paulo (1889-1933). Tese de doutorado em Educação: História, Política e Sociedade, PUC, São Paulo, 2003.
[2] Para um excelente trabalho acadêmico sobre essa série especificamente, ver MASSOTTI, Roseli de Almeida. Erasmo Braga e os valores protestantes na educação brasileira. Dissertação de Mestrado, Pós-Graduação em Ciências da Religião, Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2007.
[3] Anualmente a Confederação da Mocidade organizava congressos, quando se discutiam problemas específicos da missão dos jovens na atualidade, a intervenção nos problemas sociais e a estrutura eclesiástica. Neste IV Congresso Nacional da Mocidade Presbiteriana em Salvador, Bahia. Rev. Richard Shaull foi o preletor principal e discorreu sobre a missão, preconizando um significado novo à evangelização.
[4] Em uma entrevista Waldo César comenta sobre este momento: ―O Shaull tinha um trabalho muito grande com vários campos no Brasil, inclusive com a UCEB [União Cristã de Estudantes do Brasil], viajava muito e era chamado pra conferência em tudo que era lugar. Foi outro motivo de ciumeira, porque os pastores eram os líderes de nossos encontros de jovens e congressos da mocidade. E esses pastores começaram a ser menos convidados. Uma coisa que criou um problema muito desagradável foi que o reverendo José Borges era chamado de - velho mestre - uma grande figura. Ele teve uma influência muito grande e era sempre o grande preletor dos encontros. E quando Shaull começou a aparecer, o pessoal começou a chamá-lo de - jovem mestre - (risos). Foi a gota d`água em relação à cúpula da igreja. Que negócio é esse?” (CESAR, 2011 – Itálico meu).

O VELHO MESTRE – Rev. José Borges dos Santos Jr.

Rev. José Borges dos SAntos Junior
Velho Mestre
            A questão educacional sempre foi a menina dos olhos do protestantismo de forma geral e não poderia ser diferente quando de sua implantação no Brasil. Desde seus primórdios a educação em suas duas vertentes religiosa e secular foi colocada como parte integrante do programa de expansão do protestantismo no país.
            O então jovem e recém chegado missionário estadunidense Ashbel Green Simonton inicia suas atividades com uma “escola dominical” onde ministra os pontos básicos do evangelho evangélico protestante. Estabelece um embrião de “escola fundamental” para crianças, aliado à um curso de alfabetização para adultos. Revela toda sua preocupação com a questão educacional quando, juntamente com seus companheiros, inicia o primeiro Curso Teológico protestanteno Brasil, e provavelmente na América Latina, cunhado pelos historiadores protestantes de “Seminário Primitivo”, que formou os primeiros quatro pastores presbiterianos brasileiros.
            Por onde o protestantismo foi sendo implantado no território brasileiro a educação sempre foi um dos pilares mestres, seja na forma das “escolas paroquiais”, visando atender os filhos dos membros ou no formato “colégios” visando alcançar as elites brasileiras.
            Desde a fundação de seus primeiros Seminários os presbiterianos sempre zelaram para que seus seminaristas fossem formados não apenas no aspecto teológicos, mas nas mais diversas áreas do saber humano. Apenas uma leitura simples de seus currículos deixa evidente uma preocupação multicultural na formação dos seus novos pastores.
            Em um país onde a educação e a cultura nunca foram de fato e de verdade uma prioridade, de maneira que apenas uma pequena e privilegiada camada social podia e era estimulada a uma formação acadêmica, os Seminários protestantes tornaram-se centros de excelência acadêmica e de fato formaram pastores e homens altamente qualificados.
Na década de 40-50 os Seminários protestantes eram tratados como Universidades e seus alunos eram qualificados entre os mais atuantes nos meios acadêmicos do país, estando na vanguarda dos grandes movimentos estudantis emergentes no Brasil, incluindo a hoje famigerada UNE, mas que naquele momento histórico fundante contava em seus quadros com alguns dos mais iminentes jovens seminaristas dos centros acadêmicos protestantes, bem como de seus diversos colégios espalhados pelos grandes centros urbanos brasileiros.
Entre tantos nomes proeminentes que devem ser destacados neste caudaloso rio educacional, quero trazer à memória o do Rev. José Borges dos Santos Jr.
Ele sempre esteve ligado umbilicalmente com a questão educacional. Fez seu curso ginasial no Ateneu Valenciano, cuja propriedade pertencia desde 1908 ao Comendador Antonio Jannuzzi,[1] que mais tarde o doou a Igreja Presbiteriana de Valença, que lá criou o Colégio Atheneu Valenciano.[2] Tudo leva a crer que durante o seu curso pré-teológico Borges tenha sido aluno do Rev. Erasmo de Carvalho Braga, uma das figuras mais proeminentes, nacional e internacionalmente, do presbiterianismo brasileiro, o que ocorrido certamente impregnou o jovem seminarista das ideias e conceitos teológicos mais avançados da época.
Particularmente sua vida acadêmica sempre esteve ligada ao Seminário Presbiteriano de Campinas, desde quando seminarista e por muitos anos já como pastor. Foi esta sua dedicação e paixão pelo ensino e pela instituição teológica que lhe outorgaram a alcunha de - Velho Mestre - que expressava o reconhecimento e carinho de seus antigos alunos.
Neste Seminário Borges lecionou inicialmente, no Curso Propedêutico,[3] as matérias de Lógica Formal, Latim, Português e Introdução à Filosofia, entre os anos de 1930 e 1934. A partir de 1934 a 1946, conforme noticiou a revista teológica do Seminário (1939, p. 35) ele havia sido eleito para ocupar a cadeira de Teologia Sistemática, mas lecionou também História da Filosofia que era sua paixão pessoal.
Um de seus alunos, que posteriormente tornou-se também professor do Seminário, registra a reação dos seminaristas às aulas do novo catedrático:
A prodigiosa informação do novel professor de Teologia sobre autores tradicionalmente tidos como autoridade – Hodge, Dabney, Shedd – além do compêndio de Strong, nos assombrava. Mas principalmente seu conhecimento de Metapsíquica é que nos chegou a intrigar. Até parecia que se preparava para a tarefa mesmo antes de sua escolha. (1939, p. 35).
O Dr. Waldyr, outro ex-aluno, registra algumas outras características que ajudam a elaborar com certa dose de exatidão o perfil catedrático de Borges:
Tinha a seu cargo a área da teologia e da filosofia. Bom professor, temido pelo seu tom dogmático e cortante ironia, além de dar provas de improviso, o que exigia constante preparo do aluno para a imprevisível ocasião. Incompassivo, não vacilava em reprovar o estudante que não fazia jus à nota mínima. (1994, p. 122).
Quando se transferiu para São Paulo, enquanto pastor auxiliar ainda continuou lecionando no Seminário de Campinas, mas quando assumiu a titularidade do pastorado da IPUSP[4] a partir de 1947, apesar de todos os rogos da Direção do Seminário, o Conselho daquela igreja não o liberou, de maneira que teve que abrir das suas preciosas aulas no final do período letivo de 1946.
Em seu excelente trabalho sobre a vida de Borges, o pesquisador Castro menciona que em diversas Atas do Conselho da IPUSP registram-se correspondências da direção do Seminário para que Borges fosse liberado para continuidade de suas aulas, chegando ao ponto do próprio Diretor, o Rev. Jorge Goulart, manter conversas com alguns presbíteros individualmente e na Ata 977, registra sua presença, como porta-voz oficial do seminário, e ―insiste para que o Conselho libere o Rev. Borges, um dia por semana‖ (2011, p. 29).
Todo este esforço tinha uma razão, é que naquele momento Borges era um dos professores mais conceituado do Seminário e suas aulas de filosofia às terças feiras, assim como os cultos matinais em que se fazia presente atraia a presença de todos os alunos, o que em ambiente de seminário é uma coisa rara, demonstrando assim o carisma que o - Velho Mestre -  exercia sobre o corpo discente.

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Referências Bibliográficas
CASTRO, Luís Alberto de. A Trajetória do “Velho Mestre: Uma Biografia do Rev. José Borges dos Santos Júnior – um recorte historiográfico da Igreja Presbiteriana do Brasil. Dissertação (Mestre em Divindade) – Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, São Paulo, 2011.
GUEDES, Ivan Pereira. O protestantismo na cidade de São Paulo – presbiterianismo: primórdios e desenvolvimento do presbiterianismo. Alemanha: Ed. Novas Edições Acadêmicas, 2013.
Revista Teológica – Seminário Teológico Presbiteriano de Campinas, n° ?, 1939.




[1] Antônio Jannuzzi (1855-1949) Natural da Itália, grande empresário e construtor no Rio de Janeiro, edificador de templos, benemérito de muitas instituições (Hospital Evangélico, Ateneu Valenciano, Orfanato Presbiteriano). Alderi Souza de Matos (Pioneiros Presbiterianos no Brasil - Galeria de Leigos) http://www.mackenzie.br/7159.98.html. Foi membro da IPB do Rio de Janeiro, pastoreado pelo Rev. Álvaro Reis do qual se tornou amigo.
[2] Em 1924 o coronel Cardoso o adquire da Igreja Presbiteriana e o doa para a mitra diocesana com uma clausula de no prazo de dois anos ali se instalar um estabelecimento de ensino secundário.
[3] Servia de preparação e introdução ao curso teológico propriamente dito.
[4] Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

PROTESTANTISMO E SEUS DOIS SISTEMAS TEOLÓGICOS

            Ainda nas páginas do livro de Atos e principalmente nas epístolas é visível a crescente dificuldades em se manter dentro do cristianismo primitivo uma unidade teológica. Evidentemente que a literatura preservada no cânon neotestamentário fundamentou uma ortodoxia básica no que se refere aos pontos cardeais da fé cristã como entendida pelos respectivos escritores e posteriormente mantida nas comunidades cristãs.
            Com o passar dos séculos múltiplas controvérsias foram surgindo nas esferas eclesiásticas sobre os mais variáveis temas doutrinários. Nas diversas literaturas que tratam da História dos Dogmas podemos encontrar um reflexo dos embates que se travaram nas entranhas conciliares da igreja cristã através dos séculos.
            Evidentemente que as controvérsias fazem parte do processo de maturação de uma organização viva e tão ampla quanto a Igreja Cristã. Ainda que muitas delas é provocada pelo personalismo, outras por falta de uma melhor diretiva e outras onde o espírito fraternal foi sacrificado, a controvérsia torna-se o instrumento de depuração dos sistemas eclesiástico-teológico do cristianismo. Uma árvore torna-se tão resistente quanto as tempestades pelas quais ela passa, uma boa controvérsia que exige a busca de novas respostas é preferível à estagnação que atrofia e mata.
            As controvérsias surgem na estrada da Igreja Cristã e são caracterizadas por suas motivações centrais: administrativas, com os donatistas; trinitariana, com o arianismo; cristológica com o Apolinarianismo e nestorianismo; antropológica, com o pelagianismo e agostianismo.
            A controvérsia antropológica ainda que tratada continuamente nos Concílios Cartago em 412 e ratificada também em Cartago em 431 (dezenove anos depois), ela se perpetuou no rasgar dos séculos e ainda hoje seus respectivos sistemas teológicos dividem a teologia cristã.
            No período pós Reforma Protestante haveremos de visibilizar novamente este embate nas controvérsias dos calvinistas ancorados no pensamento teológico de Agostinho e os arminianos fundamentados no pensamento teológico de Pelágio.
            Estes dois expoentes da teologia cristã não poderiam ser mais diferentes em suas índoles e experiências vivenciais. Suas diferenças acabaram se refletindo na contradição que veio a coloca-los em posições distintas e opostas em relação à doutrina da natureza humana e da graça de Deus.
            Agostinho era naturalmente irascível e apaixonado. Possuía um cabedal cultural como poucos em seus dias, e travou por toda sua vida uma luta intima em relação às suas propensões humanas para o pecado. Na medida em que examinava a literatura de Paulo, sobre sua exposição da luta feroz entre a carne e o espírito, conclui que a natureza humana decaída é totalmente depravada, de modo que o livre arbítrio, ou seja, a capacidade livre do ser humano escolher algo melhor é tão somente uma ilusão.
            Pelágio também era um monge muito bem instruído, entretanto, de natureza mais meiga e praticante perene da abstinência, o que lhe capacitava um estilo de vida mais voltada para a espiritualidade. Enfrentando menos embates internos advoga que o ser humano é capaz de livremente obedecer à voz da consciência e resistir ao mal e escolher o bem, de maneira, conclui ele, que a raça humana não herdou o pecado adâmico.
            Deste modo, partindo de premissas diametralmente opostas, ambos elaboraram seus sistemas teológicos. Pelágio defende com veemência uma bondade inerente no ser humano, que apesar da natureza pecaminosa, ainda detém a capacidade de escolher e obedecer a Deus livremente; Agostinho por sua vez entende que o ser humano após a queda se tornou totalmente incapacitado para escolher livremente obedecer à vontade de Deus, necessitando para isso da continua atividade da graça divina, que soberanamente é outorgada à aqueles que Deus escolhe antes da fundação do mundo.
            Abaixo temos uma visualização contrastante destes dois sistemas teológicos que ainda hoje mantém suas controvérsias dentro do cristianismo protestante.   

O SER HUMANO NA CRIAÇÃO
PELAGIO
AGOSTINHO
O ser humano foi criado inocente, capaz de livre arbítrio absoluto, porém, mortal.
O ser humano foi criado com a capacidade de escolher livremente, inocente e inclinado ao bem, capaz de tornar-se livre do pecado pela continua obediência, porém sujeito à morte.
O SER HUMANO NA QUEDA
A queda trouxe como consequência imediata a morte espiritual de Adão e Eva, porém, atingiu os seus descendentes somente como exemplo.
A queda trouxe a morte tanto espiritual quanto física de Adão e Eva, e, através deles, à toda humanidade, escravizando-lhes a vontade.
O SER HUMANO DEPOIS DA QUEDA
Todas as pessoas ao nascerem são como Adão antes da queda e se sujeitam ao pecado por livre e espontânea vontade e atos pessoais.
Todos ao nascem com uma natureza humana corrupta e com sua vontade escravizada ao mal e totalmente incapacitados de proceder com retidão.
LIVRE ARBÍTRIO
O ser humano é sempre livre e igualmente capaz de fazer uma escolha tanto para o bem quanto para o mal.
O ser humano era livre somente antes da queda e propenso ao bem e à justiça, todavia, após a queda perdeu a sua liberdade e retidão, e escravizou-se ao mal.
O PECADO
O pecado é um ato resultante da vontade, não é da natureza, e, portanto, as pessoas não são necessariamente pecadoras e algumas podem até viverem sem pecar.
O pecado é inato à natureza humana (pecado original) e manifesta-se em ações pecaminosas. Desta forma, todo ser humano, cá om exceção de Cristo, é necessariamente pecador desde seu nascimento.
A GRAÇA
A “graça divina” consiste nos privilégios que Deus outorga ao ser humano.
A salvação é pessoal, sem lei nem evangelho. A vantagem do evangelho é que por ele se torna mais fácil ser crente.
A graça é a operação da vontade do Espírito Santo no ser humano, pela qual a vida espiritual começa e se aperfeiçoa. Sem ela a pessoa não pode arrepender-se nem tão pouco crer. A graça redentora é inquebrantável em sua operação sobre os eleitos: nada lhe pode resistir.
A ELEIÇÃO
Não há uma eleição incondicional.
A eleição é eterna e absoluta e é incondicional.
BATISMO INFANTIL
O batismo infantil é coisa boa, mas não essencial à salvação das crianças.
É necessário o batismo para a salvação das crianças, desde que elas são pecadoras, pois o batismo é o único meio pelo qual uma igreja se torna regenerada. Alguns dentre os regenerados pelo batismo podem cair, e de fato assim acontece, porém, os eleitos jamais cairão.

            Evidentemente que este quadro esboça pobremente a imensidade dos debates decorrentes destas duas propostas teológicas. Milhares de volumes tem sido produzido ao longo dos séculos sobre estas questões até os dias presentes.
            No período posterior ao movimento da chamada Reforma Protestante, no século XVI, as múltiplas denominações que a partir dela se originaram, mantiveram estes debates envolvendo estes dois pensamentos teológicos contrastantes.  A partir da exposição de João Calvino, seguindo o pensamento de Agostinho, que originou o calvinismo, e do trabalho de Jacó Armínio, defendendo a posição de Pelágio, que originou o arminianismo, perpetua-se no tempo este debate que não se apercebe qualquer possibilidade de uma conciliação plena e final.

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
me.ivanguedes@gmail.com
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