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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O Protestantismo na América Latina

Foto maior abaixo: Executiva do Congresso
Fotos menores: Representantes brasileiros 

Nesse ano o movimento religioso amplamente conhecido pela alcunha de Reforma Protestante, completa seu 500º aniversário. Certamente que muito haverá de se falar escrever sobre este fenômeno religioso que produziu e continua produzindo movimentos sísmicos no mundo cristão ocidental.
Mas para grande vergonha nossa, apensar do protestantismo se fazer presente a mais de cento e cinquenta anos no Brasil e na América do Sul, sem mencionar a América Central e o Caribe, pouco sabemos do que aconteceu e como aconteceu esta presença protestante nos diversos países que compõe este lado do mundo americano.
É bem provável que saibamos mais sobre a história protestante na América do Norte e na Europa do que da história do protestantismo em nosso próprio país e nos nossos países vizinhos sul-latinos. Somente muito recentemente, após a implantação dos cursos de Ciências da Religião em diversas Universidades brasileiras é que se começou de fato a fazer pesquisas mais profundas em relação ao protestantismo nacional. Todavia, o processo decorrente da implantação protestante entre nossos vizinhos de fronteiras e da região sul americana continua ainda completamente desconhecido para nós, como creio que a nossa história lhes é também obscura.
Minha expectativa é que a partir das comemorações desta data tão significativa do movimento fundante do protestantismo mundial, possamos avançar sistematicamente na redescoberta desta rica história protestante sul americana, que permanecem soterradas nas mais profundas minas do tempo histórico e que somente com muito esforço, suor e lágrimas haveremos de extrair e posteriormente lapidar essas preciosas gemas da historiologia protestante de nossa região americana.
Para o bem ou para o mal coube ao Brasil, o maior entre todos os países deste lado das Américas, ser o único de fala portuguesa, enquanto todos os demais “hermanos” adotaram a língua espanhola. Mas, aforam a latitude e longitude que nos une, temos toda uma história comum que nos irmanam e nos identificam. Como também compartilhamos do mesmo transfundo religioso do catolicismo romano que imperou soberanamente por no mínimo três séculos, mas que vagarosa e paulatinamente foi sendo incomodado pela chegada de missionários protestantes que aqui foram estabelecendo suas múltiplas denominações evangélicas, em sua grande maioria de origem norte americana.
Assim como ocorre com aquele jogo em que a pessoa precisa ligar os pontos para poder desvendar qual a figura que ali se faz invisível ao primeiro olhar, assim também se faz necessário interligarmos os milhares de pontinhos históricos do protestantismo sul americano, para quem sabe um dia podermos contemplar com nossos olhos a enorme e pujante figura do protestantismo que apesar de um século e meio ainda permanece invisível.
Longe de mim qualquer sentimento de arrogância ou desmerecimento do incansável esforço que centenas ou mesmo um milhar de historiadores tem feito no transcorrer do tempo para interligar alguns destes pontos e assim nos permitir antever ao menos um pequeno esboço desta enorme figura que é o nosso protestantismo sul americano. Creio que demonstrarei todo reconhecimento e toda honra a esses esforços no transcorrer das referências bibliográficas que acompanharam cada uma de minhas postagens. É através delas que haveremos de dar forma e visibilidade ao nosso protestantismo; é nessas preciosas fontes que haveremos de apreender o ethos protestante latino americano.
Ainda a título de preambulo, é preciso esclarecer, que por culpa única e exclusiva nossa grande parte das bibliografias referentes ao protestantismo sul americano foram produzidas por autores de cunho católico romano[1] e em sua grande maioria o fizeram pela ótica histórica-marxista,[2] para interpretarem a implantação e desenvolvimento do protestantismo em nossa América. Por outro lado, temos diversas obras de cunho protestante como as de Lucy Guinness, Robert Speer, Samuel Inman, Stanley Rycroft, entre outros, mas que se caracterizam por uma forte apologia anticatólica.
Como pesquisador não deixarei de se utilizar de trabalhos tão arduamente produzidos, mas tendo a liberdade de examinar os mesmos fatos por uma ótica diferente, que não implica em ideia marxista ou conservadora, apologética ou liberal, mas apenas de um ângulo diferente e com implicações diferentes dos referidos pesquisadores referidos acima.
Período de Implantação do Protestantismo Latino Americano
Assim como ocorreu no Brasil o restante da América do Sul permaneceu um celeiro exclusivo da Igreja Católica Romana. Uma presença protestante foi se esboçando de forma muito restrita e gradativa no continente.
Enquanto na formação dos Estados Nacionais abrem-se brechas para a introdução de uma mínima liberdade de culto, muitas vezes restritos aos denominados grupos étnicos, mormente imigrantes de origem europeia, todavia, a atividade proselitista permanece em suspeição. É preciso lembrar que a religião católica e os governos imperiais, posteriormente os diversos governos civis nacionais, no que concerne aos âmbitos da América do Sul, sempre mantiveram cordões umbilicais fortíssimos, dando sustentação a ambos os lados da questão, influenciando e sendo influenciados concomitantemente.
Na mesma proporção em que as contradições de cunho econômico e político foram aflorando no Continente, as aberturas para outras formas de expressão religiosa cristã foram surgindo e sendo aproveitado principalmente pelas diversas denominações evangélicas de origem estadunidense, uma vez que os europeus haviam deliberado que o Continente Sul Americano não se constituía um campo missionário.
Os primeiros esforços missionários protestantes começam a ocorrer por volta dos anos de 1855/56 e acentuam-se gradativamente. Ainda que o catolicismo esteja debilitado pelas mudanças político-econômicas, ainda detém uma forte hegemonia que cerceia esforços mais expressivos dos missionários protestantes.
O que vai ocorrer na América do Sul espanhola é o que aconteceu no Brasil português, os protestantes conseguem se estabelecerem nos países, por força de sua vertente econômica-educacional, mas não consegue sobrepor sua cultura protestante. As classes sociais permitem e até estimulam seus filhos a estudarem nas escolas protestantes, mas não abrem mão de que sejam formados na religião dos seus pais. Os mandatários dos governos civis e suas classes sociais desejam o progresso proporcionado pelas ideais protestantes, mas não quer a religião protestante, que por sua vez é totalmente outsider em seus status quo protestante norte americano.[3]
Essa dicotomia prevaleceu de tal forma que os diversos ramos protestantes aqui implantados e/ou transplantados se deram por satisfeitos em se estabelecerem em alguns extratos sociais, pejorativamente chamados de guetos, e comodamente foram construindo seus pequenos feudos-religiosos, com seus castelos bem fortificados (templos); suas infraestruturas básicas: hierarquias eclesiásticas; escolas, hospitais, etc... O catolicismo por sua vez optou por perder os anéis e conserva os dedos, e aqui estamos no século XXI.
O Continente Abandonado?
O século XIX tem sido considerado o “século missionário” visto que nesse período o cristianismo cresceu significativamente, expandido por todos os continentes, de maneira que hoje no século vinte e um pode-se falar de uma igreja cristã global, ainda que evidentemente representada em suas múltiplas e muitas vezes irreconciliáveis vertentes eclesiástico-teológicas. 
Esse grande movimento missionário tem seu ponto de partida na cidade de Edimburgo na Escócia (1910), onde vai ocorrer a primeira tentativa de fazer um sistemático e cuidadoso estudo das necessidades missionárias no mundo (John Mott), promovido pelas diversas denominações protestantes europeias.
Uma das resoluções deste Congresso é que a América Latina não seria palco para a expansão protestante visto que este continente já estava evangelizado através da presença secular do catolicismo romano.[4]
Evidente que alguns representantes não ficaram satisfeitos, e tendo os protestantes norte-americanos como porta-vozes defenderam que apesar da presença católica romana, em relação ao evangelho bíblico as populações destes países permaneciam ignorantes e carentes de ouvi-lo em sua inteireza e simplicidade. Em suas argumentações eles classificaram a América Latina como sendo um “continente abandonado” (PIEDRA, 2006).
Esta expressão desejava expressar o abandono e/ou descaso a que foi submetido o Continente por parte das ainda recentes sociedades missionárias protestantes. A Sociedade Missionária Sul-americana (South American Missionary Society – SAMS) foi uma das primeiras organizações missionárias a cunhar essa expressão em suas literaturas (1868).[5]
Uma das primeiras descrições sobre a triste realidade dos parcos esforços das missões protestantes em alcançar a região Sul americano foi produzida pela missionária Lucy Guinness (1894), que havia trabalhado por quase meio século nesta região, no esforço de sensibilizar os cristãos britânicos a olharem e investirem mais no que ela chamava de “O Continente Abandonado”, título de seu livro (cf. referência bibliográfica).
Mas duas questões contribuíram para esse desencanto das agencias missionárias em relação América do Sul: a) o alto investimento que esta se fazendo tanto em termos humanos quanto financeiro na África e Ásia; b) o fracasso das sociedades missionárias em implantarem o protestantismo na Espanha católica. Uma vez que predominava na América do Sul o catolicismo espanhol e português, a perspectiva de igual fracasso predominava nas análises missionárias (PIEDRA, 2006, p. 23-26).
O Continente das Oportunidades
Todo esse quadro somente será alterado após o Congresso do Panamá que foi realizado em 1916. Esse Congresso será um divisor de águas, pois será a partir dele que as grandes sociedades missionárias estadunidense passaram a empreenderem um crescente esforço e investimento nas atividades missionárias na América do Sul. De acordo com Lauri Emílio Wirth esse Congresso “foi uma espécie de saída pragmática para solucionar os impasses criados nos bastidores da Conferência Missionária de Edimburgo a respeito do continente latino-americano, enquanto campo de missão protestante” (2008, p.123).
Esse Congresso foi fecundado e começa a ser gestado ainda durante a Conferência Missionária Mundial em Edimburgo (1910), que havia deixado a América do Sul de fora da ação missionária protestante. Ali mesmo alguns representantes de missões protestantes sul americanas se reúnem, ao menos duas vezes, e começam a traçar os planos para a realização de uma Conferência Missionária que levasse em conta os esforços na região. Dentre esses estava um observador brasileiro, o Rev. Álvaro Reis, que fora convidado pela junta de missões que atuava no Brasil (MATOS, 2008, p. 217). Ele fez parte de um comitê que foi presidido pelo Dr. H. K. Carroll, pelo Rev. Samuel G. Inman, que serviu como secretário, e ainda os reverendos J. W. Butler, William Wallace, H. C. Tucker e G. I. Babcock, cujo objetivo era contestar a forma com que os representantes missionários que atuavam na América do Sul foram excluídos da grande Conferência. Ainda durante a própria Conferência de Edimburgo se delineou a necessidade de se fazer um Congresso Missionário voltado para as necessidades do Continente Sul Americano.
Esse propósito começa a tomar forma quando em 1913 representantes das juntas missionárias americanas que atuavam na América do Sul se reuniram em Nova Iorque. Missionários com forte presença e conhecimento do Continente sul americano tais como: Robert Speer, L. C. Barnes, Ed. F. Cook, William F. Oldham e John W. Tood se debruçaram sobre os relatórios de atividades missionárias e esboçaram as formas de cooperação possível nos diversos campos onde já estavam estabelecidos – toma forma então o Comitê de Cooperação na América Latina (Committee of Cooperation in Latin America – CCLA). O trabalho incansável do Rev. Samuel G. Inman, que participou de diversas reuniões em diferentes partes do Continente foi fundamental para o êxito a ser alcançado quando da realização do Congresso do Panamá.
Uma das reuniões mais relevantes foi a que ocorreu em Montevidéu em 1914. A presença forte da Associação Cristã de Jovens (YMCA) com participação de representantes do Brasil, Uruguai, Argentina e Chile impulsionou e ratificou a necessidade de uma Conferência maior, que pudesse envolver não apenas os missionários, mas a juventude latina e as classes intelectualizadas do Continente.
Já em 1914 o CCLA contando com mais de trinta organizações missionárias norte-americanas e mantendo contato com um comitê europeu que tinha o mesmo objetivo, faz uma reunião (22 de setembro), que vai estabelecer uma data para a realização da grande Conferência Latina, escolhendo o Panamá como sede[6] e nomeando oito comissões de trabalho permanente: Pesquisa e Ocupação; Mensagem e Método; Educação; Literatura; Trabalho com Mulheres; Igreja no Campo; a base missionária doméstica; Cooperação e Unidade e a preparação dos missionários.
O ano de 1915 foi de intensas atividades e importantes reuniões das comissões de trabalho. A mais relevante ocorreu nos dias 09 e 10 de junho, onde se definiu o arcabouço do Congresso expresso no seguinte comunicado, conhecido como “Resolução Caldwell”:[7]
Esta Conferência resolve recomendar firmemente a todos aqueles que organizam o Congresso do Panamá, igualmente aos oradores e escri­tores do Congresso, que tenham em mente que se procura obter os melhores e mais permanentes resultados, enquanto se enfrentam com franqueza as condições morais e espirituais que o trabalho missionário na América Latina demanda Por outro lado, quer-se apresentar o evan­gelho, o qual afirmamos ser a única solução adequada aos problemas que essas condições apresentam. Entre os objetivos do Congresso do Panamá está o reconhecimento de todos os elementos de verdade e bondade que existem em qualquer forma da fé religiosa. Nossa aproxi­mação ao povo não será de crítica nem de antagonismo, mas inspira­da nos ensinamentos e exemplos de Cristo. Quanto ao serviço cristão, damos as boas-vindas à cooperação de quem estiver disposto a contri­buir em qualquer parte do programa cristão. Nós não exigimos uma união conosco em todo o nosso trabalho (abud, PIEDRA, 2006, p. 164).
Esse Congresso será um divisor de águas, pois pela primeira vez se pensa efetivamente na América Latina e se estabelece um plano de ação missionária para esta região. Mas, também expressa, como tão bem afirma Bonino: “um momento decisivo na autoconsciência do protestantismo latino-americano" (2003, p.13).
No Congresso do Panamá, houve ampla participação dos missionários estrangeiros, mas de forma inédita, lideranças nacionais de países sul americanos tiveram voz e fizeram parte das comissões, como foi o caso dos pastores brasileiros presbiterianos Eduardo Carlos Pereira, membro da comissão de Pesquisa e Ocupação, e de Erasmo Braga, convidado pelo Comitê de Cooperação na América Latina para a produção do relatório, em língua portuguesa, do Congresso, expondo as conclusões e aspirações pessoais do autor acerca do referido Congresso.[8] Para presidir o Congresso foi convidado o uruguaio Eduardo Monteverde, ligado à Associação Cristã de Moços de seu país, ainda que na prática a direção dos trabalhos fosse efetivamente conduzida pelos dois mentores deste evento, os missionários americanos Robert Speer e John Mott.
O Congresso aconteceu entre os dias 10 e 20 de fevereiro de 1916, no hotel Tívoli, na Zona do Canal. Participaram do congresso 481 pessoas, sendo 304 delegados (159 de países de fora da AL e 145 com atuação em algum país latino americano),[9] 74 visitantes oficialmente convidados e mais alguns participantes panamenhos.
Consequências do Congresso do Panamá
Imediatas:
Pela primeira vez houve um esforço na direção de um trabalho mais unificado, programado, unânime, na América Latina. A elaboração de um quadro geral das atividades protestantes missionárias no Continente, tendo como objetivo uma maximização da atuação, foi algo realmente positivo.
Definição de Metas a partir do Congresso: o esforço por evangelizar as classes cultas; a busca pela unificação da educação teológica; a inclusão da perspectiva social no contexto das atividades missionárias na AL; a busca permanente de uma unidade protestante.
Posteriores:
Promoção de outros Congressos Protestantes Latino Americano: o Congresso da Obra Cristã na América Latina – Montevidéu – 1925; o Congresso Evangélico Hispânico Americano – Havana – 1929; e a primeira, de uma série de uma série de três, Conferência Evangélica Latino Americana – Buenos Aires – 1949. Todos eles se constituíram em bigornas para se forjar uma identidade protestante latino-americana.
O despertamento das agências missionárias e denominações evangélicas americanas para as necessidades urgentes dos campos Latinos, como tão bem sintetiza o reverendo Erasmo Braga: “Com resultados paralelos aos que têm obtido a propaganda da União Pan-Americana e outras instituições para despertar nos EUA mais interesse pela AL, a propaganda e os trabalhos de organização do Congresso do Panamá despertam enorme interesse em vasta zona da opinião norte-americana. A imprensa, as escolas e as igrejas estão preocupadas com estudar os latino-americanos e suas terras”.
O Congresso revitalizou a autoestima dos missionários protestantes no Continente Sul Americano, que depois do Congresso de 1910 haviam sido abalados. Agora se sentem parte integrante do grande esforço missionário mundial de maneira que, os líderes nacionais se sentem com maior motivação em seus esforços missionários.  

 “Todas as comunhões e organizações que aceitam Jesus Cristo como divino Salvador e Senhor, e as Escrituras do Antigo e Novo Testamento, como a Palavra de Deus revelada e cujo propósito é lograr que a vontade de Cristo prevaleça na América Latina, estão cordialmente convidadas a participar do Congresso do Panamá e serão bem vindas de coração”.
Trecho da carta convocatória do Congresso do Panamá

Utilização livre desde que citando a fonte
Guedes, Ivan Pereira
Mestre em Ciências da Religião.
Universidade Presbiteriana Mackenzie
me.ivanguedes@gmail.com
Outro Blog
Reflexão Bíblica
http://reflexaobiblica.spaceblog.com.br/


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O Protestantismo na Capital de São Paulo: A Igreja Presbiteriana Jardim das Oliveiras.

Referências Bibliográficas
BASTIAN, Jean-Pierre. Historia del protestantismo en America Latina. México: Casa Unida de Publicaciones, 1990.
BARROS, Júlia Maria Junqueira de. Missões do imperialismo: Erasmo Braga, Congresso do Panamá e Panamericanismo (Mestrado de Ciência da Religião). Universidade Federal de Juiz de Fora: Instituto de Ciências Humanas. [Orientador: Dr. Arnaldo Érico Huff Júnior].
BOSH, David J. Bosh. Misión en transformació. Grand Rapids: Libros Desafío, 2000.
BRAGA, Erasmo. Pan-americanismo: aspecto religioso. Nova Iorque, EUA: Sociedade de Preparo Missionário, 1916.
Committee on Cooperation in Latin America. PANAMÁ CONGRESS. 3v. Missionary Education Movement. New York City. 1916.
ESCOBAR, Samuel. Edimburgo 1910 y los evangélicos ibero-americanos. www.misiopedia.com/images/stories/pdfs/Edimb EscobarES.pdf, pp. 2 y 3.
GUEDES, Ivan P. O Protestantismo na capital de São Paulo: A Igreja Presbiteriana Jardim das Oliveiras. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião). São Paulo: Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2013. [Orientador: Prof. Dr. João Baptista Borges Pereira].
GUINESS Y MILLARD, Lucy. South America: The Neglected Continent. London: E. Marlborough & Co., 1984.
MATOS, Alderi S. Erasmo Braga, o protestantismo e a sociedade brasileira: perspectivas sobre a missão da igreja. São Paulo: Cultura Cristã, 2008.
MENDONÇA, Antônio Gouvêa de. O Celeste Porvir: a inserção do Protestantismo no Brasil. São Paulo, SP: Paulinas, 1984.
MONDRAGÓN, Carlos. Protestantismo y panamericanismo en América Latina. Boletín teológico, Nro. 62, abril-junio 1996.
OLIVEIRA, Flávio Ribeiro de. O Congresso de Ação Cristã, Panamá, 1916. São Bernardo, SP: Universidade Metodista, 2000.
RIBEIRO; Boanerges. Igreja Evangélica e república Brasileira (1889-1930) São Paulo: O Semeador, 1991.
ROSS, Kenneth R. Edinburgh 1910 – Its Place in History. http://www.towards2010.org.uk/downloads_int/1910-PlaceHistory.pdf.
PIETRA, Arturo. Evangelização protestante na América Latina: análise das razões que justificaram e proveram a expansão protestante (1830-1960). Tradução Roseli Schrader Giese. São Leopoldo: Sinodal; Equador: CLAI, 2006.
WIRTH, Lauri Emílio. Protestantismos latino-americanos: entre o imaginário eurocêntrico e as culturas locais. Universidade Metodista de São Paulo: Estudos de Religião, Ano XXII, n. 34, 105-125, jan/jun. 2008.



[1] Um exemplo clássico é a Comissão de Estudos de História da Igreja na America Latina (CEHILA), formada pelos esforços incansáveis do Dr. Enrique Dussel, e que nasce com um desejo ecumênico de resgatar a História da Igreja na região, mas que na pratica tornou-se apenas um centro histórico do cristianismo pela ótica católica romana. Em uma obra composta de dois volumes sobre a Igreja na América Latina, foram destinadas algumas poucas páginas, ao final do segundo volume, à História do Protestantismo. O Dr. Antônio Gouvêa Mendonça, um dos pioneiros do estudo acadêmico do protestantismo no Brasil, labutou por algum tempo no CEHILA, mas desistiu frustrado ao ver que a proposta ecumênica original ficou apenas no campo das boas intenções.  
[2] Jean Pierre Bastian (BASTIAN 1990) associa intimamente o desenrolar histórico do fenômeno religioso protestante à penetração do capitalismo pelo continente.
[3] O historiador José Míguez Bonino (2002) chama de aliança por conveniência (BONINO 2002), onde segundo ele as missões protestantes buscavam expandir seu campo de atuação, sob a influência do “destino manifesto” no afã de levar uma fé mais pura e esclarecida a outros povos, enquanto por sua vez os liberais latino-americanos buscavam uma alteração no status quo e contavam com o enfraquecimento do poder da Igreja Católica para alcançar esta mudança de paradigma social.
[4] Os anglicanos ingleses e os luteranos alemães, por razões especificamente eclesiásticas, pois não desejavam melindrar os católicos romanos, para evitarem reações católicas na Europa. Por outro lado, eles, mormente desconheciam as realidades cristão-religiosas abaixo da linha do Equador (RIBEIRO, 1991 e PANAMÁ CONGRESS, 1916, V1).
[5] South America Missionary Magazine, v.II, p.3 (apud, PIEDRA, 2006, p. 18).
[6] O local foi escolhido por causa da proximidade dos Estados Unidos e da recente abertura do Canal do Panamá, tido como um grande símbolo da integração americana. As cidades de Buenos Aires e Rio de Janeiro, as duas maiores na América Latina, foram fortemente consideradas, todavia a logística era complicada e no caso do Brasil o fato de ser o único país a falar português, enquanto todos os demais utilizavam o espanhol, também foi fator contrário.
[7] A declaração levava esse nome devido ao nome da cidade onde foi realizado o encontro. Caldwell. New Jersey.
[8] Horas antes de reunir-se em Panamá, Zona do Canal, o Congresso de Acção Christã na America Latina, a 10 de fevereiro de 191 6, cujos antecedentes históricos, razão de ser, trabalhos, interpretação e critica constituirão o assumpto deste livro, o dr. Frank K. Sanders, chefe do serviço editorial do Congresso, designou-me para redigir em Portuguez um volume com a narração dos trabalhos que íamos fazer (mantida a grafia do citado). Outros dois livros seriam igualmente produzidos: em inglês um pelo Prof. H. P. Beach, outro em espanhol, pelo Prof. Eduardo Monteverde, da Universidade de Montevideo, que presidiu o Congresso.
[9] Faz-se necessário constatar que dos 145 delegados com atuação na AL, somente 21 eram nascidos no continente.

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